Fragmentos

Capítulo XII

Pista Sobre A Cera

 

Os primeiros raios solares tocavam o asfalto da velha e boa Merlingrado, pouco depois de Alfonso pedir para que Freico cobrisse os olhos em um dos portais “secretos”. Ele dirigia como se perdesse a final da copa, mais enfezado que o normal.

-Não precisa correr tanto precisa?

-Ah… me deixe, Freico… por favor! Precisamos chegar logo!

Seus olhos aflitos às vertentes da Treze Conchas, desviava bruscamente contornando as sombras projetadas no meio fio. Começavam a se aproximar da fachada da União e com eles, uma pequena surpresa.

-Quem são aquelas pessoas? – Freico esticava o pescoço para frente da União.

-Não faço a mínima… Só sei que não deve ser nada agradável.

Alfonso contornou o prédio, sem parar na entrada onde um esboço de multidão se formava, tomando quase a rua toda. Chegaram no estacionamento, parando o mini na última  e mais distante marcação, a vaga menos englobada pela luz. Freico nunca havia ido até lá. Diversos carros enfeitavam aquele ambiente mórbido e úmido, como um estande de modelos antigos.

-Pode ir, e se encontrar Alaberto, por favor, diga que já levo suas coisas. OK?

-Sim, claro! – Freico não o quis contrariar.

Ele deixou o homem, aparentemente assustado, ali, fingindo fazer algo de importante no carro, e seguiu para ver o que estava acontecendo lá na frente.

Haviam fotógrafos e redatores do Diário Semanal, além de um grande número de arquitetos, que enfim, resolveram aparecer. Observavam algo no chão. Empurrou um e outro para entrar na roda.

 

(…)

Capítulo XIV

O Relojoeiro Aruim Craig

 

Quando Freico bateu à porta do quarto, Zog, surpreendentemente já estava pronto, os cabelos devidamente penteado, vestia uma calça jeans tamanho P, uma camiseta próximo a roxa e um blusão escuro e bem grosso – o frio apertava lá fora, ainda mais sendo tão cedo. A Stradivarius pendurada nas costas,aludindo muito à uma arma.

-Vamos! – Disse ele mesmo antes que Freico pudesse abrir a boca- Não pergunte!… Ainda tenho minhas dúvidas sobre esse negócio de entrega!

Os dois guardas deram uns 10 minutos de folga àquela hora, pois sabiam que os garotos deveriam sair. Zog não expressava nenhuma apatia no momento, decifrou a charada rapidamente e sem nenhum comentário ou piada. Estava realmente estranho. Quando chegaram no hall das 13 portas percebeu que Freico escondia alguma coisa sobre a blusa de lã vinho.

-O que é isso? – Zog perguntou sem necessidade, pois já enxergava o que era.

-Não deixaria Winboult no quarto nem que me pagassem! Não me surpreenderia em nada que Beneviglees mandasse invadirem e pegá-la, sei lá… talvez até acabar com ela…

Zog não fez mais objeções, sentia-se um tanto quanto impróprio para fazer perguntas. Se podia levar seu violino, Freico podia levar sua V.C.. Contudo existia ainda uma leve coceirinha de perguntar mais uma coisa… Hesitou.

-Sim! – Freico percebeu o olhar perdido de Zog que volta e meia tornava para suas mãos – Trouxe a G.F… Ela está no bolso da calça. Só não trouxe os stérlicos porque ficaria muito aparente o volume na cueca. Bem, já está bom!

Ótimo! Zog já não precisava mais perguntar sobre os pertences que Freico carregava. Os dois pareciam prontos para uma batalha, até encarnavam personagens de guerra, suas caras fazia á crer. Era nítida a preocupação, tanto pelas mãos que tremelicavam não apenas pelo inverno, quanto pelo andar pausado e apreensivo que dedicavam até aparecerem na portaria. Seria a primeira vez que encarariam os Apicilnics desde o ocorrido… Como era de se imaginar, os seres toparam com suas caras mais carrancudas e praguejadoras que poderiam empregar, seus narizes cada vez mais empinados, certamente farejando o receio dos dois Caçados. Fiskilting agora abraçava uma caixa de veludo um tanto quanto ameaçador. Contudo nada poderia acontecer, ou melhor, a fazer com os dois garotos, pelo menos naquele momento… os apicilnics também estavam em serviço… porém mesmo assim não foi nada fácil tomar a palavra,nítido o jogo de empurra dos dois. Freico perdeu.

-Vim pegar a encomenda, por favor – pensara em pedir desculpas, mas decidiu que melhor do que isso seria se não tocasse no assunto, eles não pareciam nem um pouco agradáveis à desculpas.

(…)

Capítulo VII

A Intimação da União

(…)

Ninguém podia acreditar no que estava acontecendo. Redemoinhos de variados tamanhos rodeavam a todos, um zunido de desentupir o nariz descia do céu, os lobos se curvaram estranhando a situação de possível medo. Para melhorar, Betúnia como louca, querendo botar mais lenha à fogueira, soltou um mínimo cadeado, libertando os seresinhos da gaiola. Eles piscavam como vaga-lumes e giravam em um ritmo tonto, porém, perfeito em sincronia, um diante ao outro num caleidoscópio engraçado. O zunido fino tornava-se uma música alegre e dançante. Dos redemoinhos saíram contornos ofuscados de corpos, vultos e grutas em suas órbitas vazias.

Desta vez ninguém se conteve, os lobos correram, liderados por um, maior e de pêlos espevitados como espinhos.

-Vamos embora!

Os lobos não eram nenhum pouco amigáveis aos fantasmas, preferiam se retirar para evitar conflitos futuros.

Os fantasmas saltavam e tropeçavam despretensiosamente um sobre o outro, tentando alcançar as asinhas assanhadas, um deles dotado de um machado à mão esquerda. Seus corpos, davam a impressão de serem frágeis, solúveis a qualquer ventinho de banda, contudo, conseguiam interagir um com o outro fisicamente, como se suas carnes fossem maciças e repletas de músculos. Havia também uma espécie de cão esfumaçado que trançava entre as pernas gelatinosas.

-O que são essas coisas? – Freico gritava para ser ouvido sob a música medieval.

-É a alma de Talibar, ou melhor, de toda sua família – Freico não percebera, mas ele e Zog estavam grudados ao velho poceiro, sob os cuidados de uma larga Matraca. – Aliás, Talibar é aquele mais ao centro… ali, o que acaba de cair, do lado do que segura um machado.

Podiam ver, eram cinco, contando com um cachorro, que tentava abocanhar o fêmur duma perna esfumaçada. Tropeçavam e topavam um com o outro, num efeito de robô desconsertado. Estavam cegos, evidentemente. Um homem, maior de todos, possivelmente o patrono da família, alcançara um par de bolas aladas que contornava a cabeça de Betúnia, apalpou-os e arrancou-lhes as asas, displicente.

O mínimo público que ficara para ver, estava abismado, outros de suas residências, ruminavam pacotes e pacotes de amendoim, assistindo ao melhor dos filmes.

Onde dava lugar a suas órbitas vazias o patrono corpulento atarraxou-os, esfregando com as costas das mãos; em seu centro, antes esbranquiçados, formaram duas manchas azuis, em falsas pupilas.

(…)

As Esferas de Medéia – Série Freico Nordon (Capítulo VIII)

O Batizado, A alucinação E o Porteiro

 

-Agora é você, Freico. – a ministra retirou das costas a caixinha minúscula de madeira talhada, e a entregou para Tatroon. – Já que não devem ter pensado nisso, e conforme as circunstâncias… Alínia e Zog serão os padrinhos dela.

-Dela o que? – Freico tremia com o frio de rachar espinha. – Do que a senhora está falando?

-Ora, do batizado, não podemos entrar com ela em Merlingrado sem batizá-la – começava a conjurar hortênsias e yasmins, fazendo um círculo em volta deles, Zog, Freico, Tatroon, Alínia e Ela mesma – as três garotas de fora observavam com um pouco menos de ânimo por não saberem o que aconteceria ao certo.

Um caldeirão ao centro do circulo e um altar feito as pressas por Tatroon, com caixas de Verduras deixava o ambiente um tanto quanto bizarro. O velho colocou sobre ele um cálice com água e outro com óleo. Betúnia pediu para que se sentassem, Nordon recuou um pouco, intolerante em sujar a bunda com o barro molhado de neve.

Colocando a caixinha sobre a palma estendida do garoto Betúnia expressou algumas palavras de línguas desconhecidas, menos para Friederics, que parecia apreciar o método da ministra; Chacoalhava as mãos ao rosto dele sem tocá-lo, sendo perceptível quando soltava alguns “Freico” entre uma frase e outra, muito rapidamente, pausando logo em seguida.

-Não temos tanto tempo á perder, Friederics.

-Não foi nem um décimo do ritual…

Betúnia pediu para que Freico abrisse a caixa.

-Tem que formar o brasão da família delas.

De lá de dentro Nordon retirou um tipo de cubo, coberto por couro e com alguns desenhos desmembrados, pintados em ouro Todo o objeto parecia costurado a mão, pois deixava sair certos fios de náilon de seu acabamento. Tinha todo o feitio de um cubo mágico, porém sem cores em evidência.

-Deve fazer os contornos de sua família, o brasão de sua família…

-Como assim? Nem sei mesmo quem ou o que eu sou como posso…

-Não, não é isso, ingênuo Freico Nordon. O que digo é, para formar o brasão dela da Victória Compacta que está ai dentro. – disse Betúnia.

Nossa! Era isso, o bicho de estimação de que tanto pensava e discutia com Fiel, uma Compacta! Nunca vira uma, porém quando olhou para o lado e viu a expressão de realização nos olhos do amigo, sabia que era um animal extraordinário. Estava aflito para vê-la, contudo nem atinava no que poderia ser um brasão de uma Compacta, girava o cubo estabanado envolta das mãos, tentando de algum jeito disfarçar sua ignorância, então, ao pé do ouvido, Zog com sua Stradivarius ao colo, cochichou-lhe o necessário.

(…)

As Esferas de Medéia – Série Freico Nordon (1º Capítulo) 

Festa de Cores

A chuva encharcava todo o distrito de Murloc. Um episódio fantástico jamais visto. Gotas gigantescas de perfume doce lambiam as casas dos morcs, (construídas de uma forma incrivelmente diferente, forjadas dentro do caule das árvores). Os adultos olhavam pasmos, ao evento de cores que surpreendia o céu negro e as duas luas.

Todos em suas janelas se correspondiam comentando de tudo um pouco, mas no que todos eles concordavam era que alguém, senão louco, muito extravagante conjurava aquilo.

Os lobos, encurralados, tentavam se esconder sob as imensas copas das árvores-tagarelas: de um lado o líquido aromático que lhes fazia enjoar (parecia chiclete, um tutti-fruit adocicado), do outro lado as tagarelas que caçoavam de sua coragem:

-Medo de algumas gotinhas? É um bando de cachorrinhos de pelúcia, é isso o que são- cessando, apenas, com as piadas quando um canino pontudo lhes perfurava a camada superficial de lasca.

Preferiam enfrentar as maldosas fofoqueiras que se aventurar àquela festa de cheiro,era o que mais odiavam,é claro, totalmente o contrário do futum de carne morta e quente que tanto cobiçavam.

A noite era coadjuvante dum evento tosco, porém lendário para os morcs e também aos redatores do jornal local, que faziam alarde nas manchetes: “Festa de luzes traz o perfume de Betúnia”; “Betúnia planeja sua volta em festa de cores”; “Ministra feiticeira traz fogos adocicados ao distrito de Murloc”. Embora todas elas de um mesmo periódico: o “Diário Semanal” – edições diárias.

(…)

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