Um Copo de Corpo

 

 

 

 

 

 

 

Corpo copo Corpo copo Corpo copo

Meus pés são como pás de areia

que aram pedreira

calçam chinelas de couve

caminhando pela planagem

tropicando em plantas de vagem

e em muda que não me ouve.

Minhas pernas são como troncos

com músculos poucos.

Mas viço de quem tem!

Estica nervos e veios

fustigando de ondas alguns pêlos

que a calvície ainda não vem.

Os joelhos são pretos

de preces e estercos

que constituem minha rotina.

São tortos e moídos

estalentos e sofridos

escorrendo em rodovias de diasina.

As coxas são coxas

envergadas e de marcas roxas

flácidas e pedintes de arrego.

aguentam de tudo, peso

sem se deixar cair, ileso

De tudo que me vem, carrego!

Genitália é divertimento

canalização de sentimento

desterro em carne e osso.

A contração que emana, fulgura

traz o cheiro da cura

de mais um prazer insosso

O abdome nem se fala

isento de cor morena, rala

geme na fome

angaria volume d’água

quando nada se paga

e ainda quando nada se come.

O tórax, coitado

suporta a caixa de pecados

bombinha de seiva urucunzada

que pulsa para os pulsos

alguns breves soluços

de calma “Há vida! Calma”

Pescoço só leva marcas

chupões e bando de cartas

escritas com língua

vira que mais vira

girando feito maga na pira

baixando aos pés, quando à míngua.

A boca nossa se derrete

quando baba, diverte;

quando lambe, enrijece

quando mexe, entristece

enobrece ou envenena

quando os ouvidos à espreita a condena!

A língua é língua, ora!

que mais falar da língua

que não, ser língua e só!??

Língua é língua

e só boto jiló, pois não quero rimar com língua

mas sim com “só”.

O Nariz é enxerido

mete-se onde nem mesmo é referido

funga fuligem e ventão poeira

entorta em desprazer

empina por lazer

e cheira pastel na quarta-feira.

O cérebro é mistério:

quem o tem não revela

quem não tem o inveja

quem não sabe fica sério

a espera de vela

santeiro e um terço de contas pra se rezar!

 

_Maickson Alves_

Anúncios
Esse post foi publicado em Base de raciocínio, Freico Nordon, Poema e marcado . Guardar link permanente.

2 respostas para Um Copo de Corpo

  1. Nara Aragão disse:

    Mais uma obra linda do meu menino poeta!!*-*
    Escreve coisas tão intensas com uma sensibilidade singular!!! Sinto que vc tem o domínio das palavras e do tema abordado…

    Um beijo ao mestre das palavras…

    😀

    • freiconordon disse:

      Nossa!!! *-* Mestre das palavras!!?? Caramba… fiquei vermelho…

      Dankin minha linda!!

      Fico gratíssimo por ser uma das 3 pessoas que entra no blog!!^^

      Porém, com certeza a que é mais especial no meu coração!!!

      Beijusss!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s